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sexta-feira, 22 de mar?o de 2019

ter?a-feira, 26 de dezembro de 2017

Relembrando ?nio Morriconi

Uma orquestra eclética e exótica interpretando o conhecido tema de Ennio Morricone para o filme "western-spaghetti" do diretor italiano Sérgio Leone, "Três homens em conflito" (Buono, Il bruto, Il cativo) com Clint Eastwood e Lee Van Cleef, de 1967


Insulto de Natal


segunda-feira, 26 de junho de 2017

As 5 capitanias hereditárias da corrup??o

Por Erick Bretas em seu facebook em 17JUN2017
Recebido via whatsApp

Título de oportuno didatismo do blog Decis?es Interativas

As 5 capitanias hereditárias da corrup??o


Na foto, a reuni?o convocada por Dom Vito Corleone, no filme "O Poderoso Chef?o", para negociar a paz com os Tattaglia, os Barzini, os Falcone e os Forlenza, depois de seguidos banhos de sangue que erodiram o poder político e econ?mico das famiglias mafiosas de Nova York. Dom Vito abre o encontro ainda sob o impacto do assassinato de seu filho, Sonny Corleone, com uma pergunta que os cappi da política brasileira devem se fazer todos os dias: "Como é que pudemos chegar a esse ponto?"


A maior e mais perigosa, diferentemente do que diz o Joesley, era a do PT: mais estruturada, mais agressiva, mais eficiente e com os planos mais sólidos de perpetua??o no poder. Comandava a Petrobras, os maiores fundos de pens?o e dividia o poder com as quadrilhas do PMDB nos bancos públicos. Sua maior aliada econ?mica (mas n?o a única) foi a Odebrecht. O chef?o supremo, o cappo di tutti i cappi, era o Lula. Palocci e Mantega, os operadores econ?micos. José Dirceu, até ser defenestrado, o consigliere. Politicamente equivalia ao Comando Vermelho: pra se manter na presidência era capaz de fazer o Diabo.



A segunda maior era a do PMDB da C?mara. Seus principais chef?es eram Temer e Eduardo Cunha. Eliseu Padilha, Geddel Vieira Lima, Moreira Franco e Henrique Eduardo Alves eram os subchefes. Lúcio Funaro era o operador financeiro. Mandava no FI-FGTS, em diretorias da Caixa Econ?mica, em fundos de pens?o e no ministério da Agricultura. Por causa do controle desse último órg?o, tinha tanta influência na JBS. Era o ADA (*) dos políticos -- ou seja, mais entranhada nos esquemas do poder tradicional e mais disposta a acordos e partilhas.



A terceira era o PMDB do Senado. Seu chef?o era Renan Calheiros. Seu guru e presidente honorário, José Sarney. Edison Lob?o, Jader Barbalho e Eunício Oliveira eram outras figuras de proa. Mandava nas empresas da área de energia e tinha influência nos fundos de pens?o e empreiteiras que atuavam no setor. Por divergências sobre o rateio da propina, vivia às turras com a quadrilha do PMDB na C?mara, que era maior e mais organizada. Esta fac??o tem ainda a simbólica figura de Romero Jucá, que circula entre todos os grupos listados nesse texto como uma espécie de cimento que os une e protege ("delimita tudo como está, estanca a sangria.").



A quarta era o PSDB paulista, cuja figura de maior express?o era o Serra. Tinha grande independência das quadrilhas de PT e PMDB porque o governo de S?o Paulo era terreno fértil em licita??es e obras. A empresa mais próxima do grupo era a Andrade Gutierrez, mas também foi financiada por esquemas com Alstom e Odebrecht.

A quinta e última era o PSDB de Minas -- ou, para ser mas preciso, o PSDB do Aécio. Era uma quadrilha paroquial, com raio de a??o mais restrito, mas ainda assim mandava em Furnas e usava a Cemig como operadora de esquemas nacionais, como o consórcio da hidrelétrica do Rio Madeira.



Em torno dessas "big five" flutuavam bandos menores, mas nem por isso menos agressivos em sua rapinagem -- como o PR, que dava as cartas no setor de Transportes, o PSD do Kassab, que controlou o ministério das Cidades no governo Dilma, o PP, que compartilhava a Petrobras com o PT, e o consórcio PRB-Igreja Universal, que tinha interesses na área de Esportes.

Havia também os bandos regionais, que atuavam com maior ou menor grau de independência. O PMDB do Rio e seu inacreditável comandante Sérgio Cabral, por exemplo, chegaram a ser mais poderosos que os grupos nacionais. Fernando Pimentel liderava uma subquadrilha petista em Minas. O PT baiano também tinha voo próprio, embora muito conectado ao esquema nacional. Os grupos locais se diferenciavam das quadrilhas tucanas pelas aspira??es e influência mais restritas aos territórios que governavam.



Por fim, vinham parlamentares e outros políticos do Centr?o, negociados de maneira transacional no varejo: uma emenda aqui, um caixa 2 ali, uma secretaria acolá. Esses grupos se acoplavam ao poderoso de turno e a suas ideologias: de FHC a Lula, de Dilma a Temer. O neoliberal de anteontem era o nacionalista de ontem, o reformista de hoje e o que estiver na moda amanh?.

Digo tudo isso n?o para reduzir a import?ncia do PT e o protagonismo do Lula nos crimes que foram cometidos contra o Brasil. Lula tem de ser preso e o PT tem que ser reduzido ao tamanho de um PSTU.



Mas ninguém pode dizer que é contra a corrup??o se tolerar as quadrilhas do PMDB ou do PSDB em nome da "estabilidade", "das reformas" ou de qualquer outra tábua de salva??o que esses bandidos jogam para si mesmos.

E que ninguém superestime as rivalidades existentes entre esses cinco grupos. Em nome da própria sobrevivência eles s?o capazes de qualquer tipo de acordo ou acomoda??o e far?o de tudo para obstruir a Lava Jato.



(*) - ADA 



sexta-feira, 14 de abril de 2017

Um fim de mundo consertaria o Brasil?

Por Vladimir Safatle. 
Folha SP 14ABR17



Um outro fim do mundo é possível
"O que temos no Brasil n?o é um negócio de cinco, dez anos. Estamos falando de 30 anos atrás". Foi bom, Emílio Odebrecht, que você tenha lembrado disso em sua dela??o premiada. Pois durante os últimos anos o povo brasileiro teve que assistir ao espetáculo patético de corruptos com ares de indigna??o cívica acusando corruptos, torcedores de corruptos saindo às ruas para clamar contra a corrup??o.

Arte de SID


Tudo isto para chegar neste momento catártico e todos os lados da Nova República serem expostos em suas rela??es incestuosas com o empresariado nacional.

O ilibado e endeusado pela imprensa local Fernando Henrique Cardoso, o defensor dos oprimidos Lula, o santo Alckmin, a guerrilheira Dilma, o indignado Aloysio Nunes, seu amigo e presidente natural Serra, os operadores do PT, os operadores do PSDB, os negociadores do PMDB, os tr?nsfugas da ditadura do DEM: em suma, toda a fauna da casta política brasileira no mesmo banco dos réus.

Arte de JARBAS


Os mesmos que ocupam os espa?os na imprensa para pregar austeridade e destrui??o dos direitos dos trabalhadores s?o os que pilharam os cofres públicos de forma aberta e sem pudores. Os mesmos que exigem dos trabalhadores que trabalhem 49 anos para se aposentar de forma integral deram ao Brasil a honra de ter 24 de seus 81 senadores como alvo de inquérito no STF.

Os mesmos que fecham escolas e deixam apodrecer universidades sentavam à mesa fausta das negocia??es e levavam para casa milh?es de reais.

Arte de ELVIS


Desde o aparecimento da primeira ponta do iceberg do esquema do mensal?o, isto nos idos de 2004, tudo estava claro para quem quisesse ver.

O "maior esquema de corrup??o da República" tinha sido simplesmente reciclado pelos novos inquilinos do poder a partir, como disse o patriarca Odebrecht, do business usual dos últimos 30 anos.

O mais c?mico era ouvir aqueles que tentavam diferenciar os ocupantes do poder por "intensidade" de corrup??o: "N?o, mas este corrompeu muito mais". "Mas em rela??o a este s?o só ila??es, é só tentativa de jogar todo mundo na lama para relativizar tudo".

Arte de HERINGER


?, meus amigos, o Brasil conhece como ninguém o cinismo dos que sabem muito bem, mas mesmo assim agem como se n?o soubessem.

Diante disto, poucas foram as vozes que se perguntaram: mas como chegamos até aqui? De onde veio a opacidade do Estado brasileiro e seu desprezo pela presen?a da soberania popular, único esteio real contra a corrup??o dos entes privados? Será que há mesmo uma zona cinzenta de amoralidade em toda forma de governo a respeito da qual n?o é possível fazer nada?

No entanto, a maioria preferiu o jogo miserável de gritar "corrupto" enquanto abra?ava seu corrupto do cora??o.

Arte de DUKE


Melhor teria sido come?ar por se questionar sobre as rela??es incestuosas entre governos e empresariado que fazem do Estado brasileiro um Estado privado. Um Estado que serve para socializar as perdas do empresariado, transformando suas dívidas em dívidas públicas, que serve para rentabilizar o dinheiro ocioso de seus banqueiros enquanto joga a polícia para cima de seus trabalhadores.

Agora, aparecem os oportunistas de plant?o com os mesmos truques de sempre. O nome da vez é o Sr. Doria. O mesmo que gostava de gritar para seus desafetos: "Vá para Curitiba", enquanto devia R$ 90 mil de IPTU para o município e cujas empresas receberam aportes de R$ 10,6 milh?es de vários governos nos últimos anos.

N?o, certamente n?o se trata de mais um caso de rela??es incestuosas entre empresariado e governos.

Arte de IOTTI


Diante da exposi??o produzida pela chamada "dela??o do fim do mundo", só gostaria de lembrar, como disse o filósofo francês Patrice Maniglier, que "outro fim do mundo é possível".

Que isto sirva principalmente à esquerda brasileira. Eis o resultado do seus "grandes operadores" e de seus "conciliadores que garantiriam uma transforma??o social segura".

Melhor teria sido lembrar que à esquerda só há um caminho possível: a mais austera virtude jacobina em rela??o ao bem comum e a recusa completa em operar no interior desta "governabilidade".

Arte de VERONEZZI


Sim, que este mundo acabe o mais rápido possível. Toda a história da Nova República só poderia acabar mesmo nesta confiss?o explícita de fracasso nacional. Que este trauma nos sirva de li??o.

LINK
Um outro fim do mundo é possível

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Carta de Caymmi para Jorge Amado

Para quem n?o lembra o que é uma carta


Recebido via WhatsApp

CARTA DE CAYMMI PARA JORGE AMADO

“Jorge, meu irm?o, s?o onze e trinta da manh? e terminei de compor uma linda can??o para Yemanjá, pois o reflexo do sol desenha seu manto em nosso mar, aqui na Pedra da Sereia. Quantas can??es compus para Janaína, nem eu mesmo sei, é minha m?e, dela nasci.


Talvez Stela saiba, ela sabe tudo, que mulher, duas iguais n?o existem, que foi que eu fiz de bom para merecê-la? Ela te manda um beijo, outro para Zélia e eu morro de saudade de vocês.

Quando vierem, me tragam um pano africano para eu fazer uma túnica e ficar irresistível.
Ontem saí com Carybé, fomos buscar Camafeu na Rampa do Mercado, andamos por aí trocando pernas, sentindo os cheiros, tantos, um perfume de vida ao sol, vendo as cores, só de azuis contamos mais de quinze e havia um ocre na parede de uma casa, nem te digo. Ent?o ao voltar, pintei um quadro, t?o bonito, irm?o, de causar inveja a Graciano. De inveja, Carybé quase morreu e Jenner, imagine!, se fartou de elogiar, te juro. Um quadro simples: uma baiana, o tabuleiro com abarás e acarajés e gente em volta.

Se eu tivesse tempo, ia ser pintor, ganhava uma fortuna. O que me falta é tempo para pintar, compor vou compondo devagar e sempre, tu sabes como é, música com pressa é aquela droga que tem às pampas sobrando por aí. O tempo que tenho mal chega para viver: visitar Dona Menininha, saudar Xang?, conversar com Mirabeau, me aconselhar com Celestino sobre como investir o dinheiro que n?o tenho e nunca terei, gra?as a Deus, ouvir Carybé mentir, andar nas ruas, olhar o mar, n?o fazer nada e tantas outras obriga??es que me ocupam o dia inteiro. Cadê tempo pra pintar?

Quero te dizer uma coisa que já te disse uma vez, há mais de vinte anos quando te deu de viver na Europa e nunca mais voltavas: a Bahia está viva, ainda lá, cada dia mais bonita, o firmamento azul, esse mar t?o verde e o povaréu. Por falar nisso, Stela de Oxóssi é a nova iyalorixá do Axé e, na festa da consagra??o, ikedes e ia?s, todos na ro?a perguntavam onde anda Obá Arolu que n?o veio ver sua irm? subir ao trono de rainha?

Pois ontem, às quatro da tarde, um pouco mais ou menos, saí com Carybé e Camafeu a te procurar e n?o te encontrando, indagamos: que faz ele que n?o está aqui se aqui é seu lugar? A lua de Londres, já dizia um poeta lusitano que li numa antologia de meu tempo de menino, é merencória. A daqui é aquela lua. Por que foi ele para a Inglaterra? N?o é inglês, nem nada, que faz em Londres? Um bom filho-da-puta é o que ele é, nosso irm?ozinho.

Sabes que vendi a casa da Pedra da Sereia? Pois vendi. Fizeram um edifício medonho bem em cima dela e anunciaram nos jornais: venha ser vizinho de Dorival Caymmi. Ent?o fiquei retado e vendi a casa, comprei um apartamento na Pituba, vou ser vizinho de James e de Jo?o Ubaldo, daquelas duas ‘línguas viperinas, veja que irresponsabilidade a minha.
Mas hoje, antes de me mudar, fiz essa can??o para Yemanjá que fala em peixe e em vento, em saveiro e no mestre do saveiro, no mar da Bahia. Nunca soube falar de outras coisas. Dessas e de mulher. Dora, Marina, Adalgisa, Anália, Rosa morena, como vais morena Rosa, quantas outras e todas, como sabes, s?o a minha Stela com quem um dia me casei te tendo de padrinho.

A bên??o, meu padrinho, Oxóssi te proteja nessas inglaterras, um beijo para Zélia, n?o esque?am de trazer meu pano africano, volte logo, tua casa é aqui e eu sou teu irm?o Caymmi”.

sexta-feira, 17 de mar?o de 2017

Só as ruas salvam a Opera??o Lava Jato

Por Elio Gaspari.


Só a rua salva a Opera??o Lava Jato da pizza
No seu depoimento ao juiz Sergio Moro, Emílio Odebrecht soltou uma palavra que reflete a ansiedade da oligarquia nacional diante da Lava Jato. Discutia-se a identidade do "Italiano" das planilhas de capilés do empreiteiro e ele esclareceu que o apelido é muito comum, mas era possível que se referisse também ao "nosso Palocci". O uso do "nosso" n?o indica propriedade, mas apenas familiaridade.

? enorme a admira??o de Odebrecht pelo doutor Antonio, ex-ministro da Fazenda de Lula e da Casa Civil de Dilma Rousseff. Em poucos minutos doou-lhe nove adjetivos, entre eles "inteligente", "bem informado", "homem de vis?o de estadista".

A lista da Procuradoria-Geral da República contém os beneficiários de capilés da "nossa" Odebrecht. Empresários de todos os calibres, políticos de todos os grandes partidos, os três ex-presidentes vivos e pelo menos dois ministros do Supremo Tribunal Federal formaram um coro destinado a embaralhar a discuss?o dos capilés. Caixa dois seria uma coisa, propina seria outra, dinheiro embolsado seria uma coisa, dinheiro gasto na campanha, bem outra. Jurisconsulto de renome, o doutor Gilmar Mendes fica devendo uma tabelinha capaz de diferenciar urubu de carcará.

A principal estridência desse coro ocorre quando se vê que se planeja uma anistia para delinquentes que se recusam a confessar. Todos operam no caixa dois, diz o coro, mas eu nunca operei, responde cada um dos cantores.



A Lava Jato foi na jugular da oligarquia politica e de boa parte da oligarquia empresarial do país. (Está na memória nacional o pato amarelo que ficava diante da Fiesp, do "nosso" Paulo Skaf, mencionado em colabora??es da Odebrecht como receptáculo de R$ 6 milh?es.) Ferida, essa oligarquia joga com o tempo, com as pe?as de Brasília e com o cansa?o da choldra. Afinal, um dia a Lava Jato haverá de ser um assunto chato, se já n?o é.

A grande pizza come?a a ser assada fabricando-se um tipo de anistia parlamentar e/ou judiciária para o caixa dois. Em seguida as propinas virar?o caixa dois e estamos conversados.

Mas isso n?o pode ser tudo. Se o caixa dois é uma anomalia da contabilidade das campanhas eleitorais, deve-se criar um novo modelo. Qual? O do financiamento público.

Como dizia Renato Arag?o, você da poltrona que já paga impostos para receber (se receber) obras superfaturadas pagará as campanhas eleitorais dos candidatos que mordem as empresas para botar ou tirar jabutis de Medidas Provisórias.

Parece maluquice, mas já desengavetaram um corolário do financiamento público: o voto de lista. Assim, o sujeito paga pela obra superfaturada, financia a campanha dos candidatos e ainda perde o direito de votar em quem quer. (Pelo sistema atual o sujeito votava em Delfim Netto e elegia Michel Temer, mas indiscutivelmente votara em Delfim, n?o em Temer.) Junte-se a isso que nenhum dos listados pela Procuradoria Geral irá a julgamento em menos de quatro anos.

Só a rua pode evitar que assem a pizza. N?o é coisa fácil, pois uma parte da turma do "Fora Temer" tem o pé esquerdo na "nossa" Odebrecht e parte do coro do "Fica Temer", tem o pé direito. Sem a rua, a oligarquia unida jamais será vencida. Ela fez esse milagre no século 19 e o Brasil foi o último país independente das Américas a acabar com a escravid?o.

quarta-feira, 15 de mar?o de 2017

Os idos de mar?o: prudência ou covardia?

Por Leandro Kamal.


Os idos de mar?o: prudência é covardia?
Júlio César chegou ao cume por ser destemido. Foi assassinado pelo mesmo motivo.
Um adivinho havia dito: cuidado com os idos de mar?o! Os meses come?avam com a lua nova, as calendas, de onde deriva nossa palavra calendário. No meio do mês assinalavam-se os idos. O general ignorou a advertência e também fez ouvidos de mercador ao sonho ruim da esposa. Os sonhos eram um depósito de verdades cifradas, como aconteceu, depois, com a mulher de Pilatos. Calpúrnia estava correta e seu marido deveria ter ouvido. Um senador presente à casa dela ironizou a cren?a mágica. Júlio César compareceu ao Senado e lá foi assassinado, a 15 de mar?o do ano 44 a.C. O mais famoso atentado político da história mudou o destino de Roma. 



A morte de César levaria a uma nova guerra civil e dela emergiria, lentamente, seu sobrinho-neto: Otávio, futuro Augusto. O tio-av? foi assassinado pouco antes de completar 56 anos. Otávio tinha apenas 19 anos quando as punhaladas ocorreram. No futuro, os meses nos quais nasceram Júlio César e Augusto teriam os nomes mudados para julho e agosto. De onde saíram esses dias? Do sacrificado fevereiro, cada vez mais nanico e exótico diante dos outros 11 companheiros. Tem de tirar? Tira de fevereiro! Tem de enxertar? Coloca o bissexto em fevereiro. Literalmente, nasci num mês alvo de bullying de calendário.

Voltemos ao leito da História. César teve indicativos claros de que havia um compl?. Foi informado várias vezes antes do sonho de sua terceira esposa. Marco Ant?nio ficara temeroso. ? provável que o sucesso seja o pior conselheiro de todos. A carreira do militar tinha sido marcada pela coragem. Ele avan?ou e chegou ao ponto em que estava porque havia sido ousado e enfrentara o medo e os detratores. Assim fora na longa campanha da conquista da Gália. Fosse prudente e Vercingétorix estaria vivo e com poder. Imortalizou a frase “a sorte está lan?ada” ao cruzar o rio proibido e avan?ar com tropa sobre Roma, ignorando um tabu jurídico. Tinha conquistado uma alian?a com a improvável Cleópatra e gerado um filho no ventre da rainha greco-egípcia. Tinha enfrentado Pompeu e Crasso, membros astutos e mais ricos do seu Triunvirato. Sobrevivera porque era intimorato e n?o fazia o que os outros esperavam. Era um líder mirando além do horizonte. 



A atitude de César contém a semente da ousadia de toda lideran?a forte. Fora assim Alexandre, o Grande. Seria assim com Napole?o. N?o haveria a derrota dos persas pelas tropas do maced?nio ou o fracasso das for?as austro-russas diante do corso se houvesse medo, prudência ou fidelidade à matemática dos exércitos. O líder pula essa parte, ousa, enfrenta o risco e segue. Considera??es racionais formam o bom escriturário. Ousadia cria Césares, Alexandres e Napole?es. 

Ora, a coragem que seria louvada tanto tempo depois costuma levar a uma sequela permanente: a cegueira, filha legítima e direta da confian?a. César mirou num controle do mundo a partir do seu trono de ouro no Senado. Olhou t?o alto que desconsiderou as heras venenosas que lan?avam gavinhas minúsculas sob seus pés. Descortinava a glória eterna e desconsiderava a inveja doméstica. Alexandre imaginou que todo o seu exército teria o entusiasmo que ele tinha para conquistar além. Ele estava comprometido com a eternidade, seus soldados com o soldo, a comida e as famílias saudosas. Napole?o saiu de Elba supondo que o mundo seria seu como sempre fora. Há o risco de Waterloo para toda vitória. O drama é que o líder vai criando confian?a em vitórias precedentes e sup?e que o medo seja coisa de derrotados. Foi o argumento de Hitler contra os generais: vocês diziam que n?o era hora de atacar a Fran?a e eu ataquei e fui vitorioso. Agora dizem que n?o se deve atacar a URSS e eu irei atacar! Bem, os generais erraram na Fran?a e acertaram na URSS. A decis?o foi um desastre absoluto e o início da derrocada do Terceiro Reich.



Parece que a vida deveria ter duas personagens distintas. No campo empresarial, uma seria aquela que constrói o patrim?nio, outra, aquela que, após o sucesso, usufrua dele. Geralmente, o mesmo espírito de acúmulo e prudência que marca a constru??o das fortunas impede que o fundador fa?a pleno uso dela. Gastar será tarefa dos filhos, noras e genros. O mesmo ocorre com generais vitoriosos. Conquistam confian?a e acertam muitas vezes. V?o perdendo o medo, um conselheiro fundamental, e ousando cada vez mais até que recebem punhaladas do destino ou dos assessores. O problema de estar num posto elevado é que as pessoas só dizem o que se deseja ouvir.

Júlio César, o ousado, chegou ao cume porque era destemido. Foi assassinado pelo mesmo motivo. Ouvir ou ignorar a fraqueza? Como saber em que momento a prudência se torna covardia? Qual a linha que separa o justo temor da fraqueza? Se você tem essa dúvida, parabéns. Os que n?o tiveram erraram bastante. Entre a prudente estratégia de Dédalo de voar baixo e o enfoque inovador-kamikaze de ?caro, temos de construir vidas bem mais pacatas. Quem aqui teria sangue de heróis? Boa semana a todos.

sexta-feira, 10 de mar?o de 2017

Vossos Filhos N?o S?o Vossos Filhos.

 Vossos Filhos N?o S?o Vossos Filhos.
Khalil Gibran



Sugest?o de Carlos Alberto Michelli

Vossos filhos n?o s?o vossos filhos.

S?o os filhos e as filhas da ?nsia da vida por si mesma.

Vêm através de vós, mas n?o de vós.

E embora vivam convosco, n?o vos pertencem.

Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas n?o vossos pensamentos, porque eles têm seus próprios pensamentos.

Podeis abrigar seus corpos, mas n?o suas almas; Pois suas almas moram na mans?o do amanh?, que vós n?o podeis visitar nem mesmo em sonho.

Podeis esfor?ar-vos por ser como eles, mas n?o procureis fazê-los como vós, porque a vida n?o anda para trás e n?o se demora com os dias passados.

Vós sois os arcos dos quais vossos filhos s?o arremessados como flechas vivas.

O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua for?a para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.

Que vosso encurvamento na m?o do arqueiro seja vossa alegria:

Pois assim como ele ama a flecha que voa, Ama também o arco que permanece estável.


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Leve Bolsonaro a sério

Por David Coimbra

O Brasil em perigo - Leve Bolsonaro a sério
Recebi mais de 200 mensagens dos admiradores de Bolsonaro insultando-me porque falei mal do ídolo deles.

Isso me deixa preocupado.

N?o os insultos: a admira??o por Bolsonaro.

Trump elegeu-se presidente dos Estados Unidos. Trump é um troglodita, mas, perto de Bolsonaro, transforma-se em sócio de clube de cavalheiros ingleses, com cachimbo e pince-nez. Trump tem o mérito de ser um vencedor. ? um bilionário, sabe ganhar dinheiro, conhece os negócios e os homens de negócios.



 Bolsonaro, n?o. Bolsonaro é apenas um homem grosseiro.

O medo do terror fez Trump crescer nos Estados Unidos. O medo da violência urbana faz Bolsonaro crescer no Brasil.

O medo arranca o pior dos seres humanos.

Tanto Bolsonaro quanto Trump se cevam na rejei??o à vigil?ncia moral dos politicamente corretos. ? um erro terrível. Se você n?o gosta do politicamente correto, n?o significa que tenha de ser politicamente incorreto.

As pessoas est?o fazendo confus?o.

Você pode criticar as novas feministas, os movimentos negros e as entidades de defesa LGBTs, mas você n?o pode desrespeitar as mulheres, discriminar os negros e ter preconceito contra os homossexuais.

Você pode criticar o PT e a atua??o dos sindicatos, mas n?o pode deixar de entender as necessidades dos trabalhadores.

Defender os direitos humanos n?o é defender bandidos — é, apenas, defender os direitos humanos, que s?o os SEUS direitos, leitor.

A violência n?o aumentou porque acabou a ditadura, até porque a aten??o dos generais n?o estava voltada para a violência urbana e sim para a guerrilha urbana. Alguns dos países mais violentos do mundo s?o ditaduras, como o Congo e a Venezuela.

Houve e há militares inteligentíssimos. Golbery do Couto e Silva e Castelo Branco s?o exemplos ilustres que você tira de dentro do ventre da ditadura brasileira. Bolsonaro n?o é um deles. Bolsonaro n?o tem nada de inteligente. Nada. O problema de Bolsonaro n?o é ser militar. O problema de Bolsonaro é ser Bolsonaro.

Trump n?o foi levado a sério nos Estados Unidos, e hoje está assombrando a Casa Branca.

Bolsonaro tem de ser levado a sério no Brasil, antes que seja tarde.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Min. da Transparência falando aos prefeitos



32 min

Juiz americano inspira-se em Sérgio Moro

Por Luiz Berto em seu Besta Fubana


Juiz federal dos EUA paralisa aplica??o do veto migratório de Trump.
A senten?a impede que se ponha em prática no país inteiro o decreto que bloqueia a entrada de refugiados e imigrantes de sete países mu?ulmanos

A Casa Branca emitiu nota informando que vai recorrer contra a decis?o do juiz federal do estado de Washington, James Robart, que suspendeu temporariamente o veto do presidente Donald Trump para entrada nos Estados Unidos de refugiados e titulares de visto de sete países predominantemente mu?ulmanos.

A Casa Branca primeiramente se referiu à decis?o do juiz como “ultrajante”, mas depois retirou essa palavra da nota.

Embora temporária, a decis?o do juiz de Seattle (cidade do estado de Washington) atinge o cerne da ordem executiva adotada há mais de uma semana por Trump, que previa o veto – por 90 dias – da entrada de pessoas nos Estados Unidos provenientes do Ir?, Iraque, Líbia, Somália, Sud?o, Síria e Iêmen.



* * *

Palavras de Luiz Berto 

Este cabra, o juiz ianque, como diria o impoluto e digno pulítico ban?nico Renan Calhorda Calheiros, é um “juizeco”

Um juizinho bostel, uma magistradinho de quinta categoria, que ganha fama ao derrubar uma lei do prisidente dos zamericanos, o mais abilolado e furioso já eleito pra botar a bunda na cadeira da Casa Branca.

O dot? James Robart emputiferou n?o apenas Trump, como também seus fanáticos admiradores de todo Planeta Terra, inclusive a extrema direita ban?nica, ferrenha defensora de muros, bufetes e segrega??es.

Este magistrado ianque está se inspirando nos juízes golpistas brasileiros.

Eu desconfio que ele deve ter tomado conhecimento das senten?as do Dr. Sérgio Moro, aquelas que desafiam potentados e puderosos do primeiro até o mais alto escal?o.

ter?a-feira, 7 de fevereiro de 2017

As últimas de Temer e o STF

Arte de AROEIRA

Arte de AROEIRA

Arte de GENILDO

Arte de JOTA A




Arte de SAMUCA


Arte de SID



Arte de SIMCH


Arte de SPONHOLZ

Arte de ZOP



Arte de CLAYTON


Arte de DUKE


Arte de MARIO


Arte de MIGUEL


Arte de MYRRIA

Arte de NANI



Arte de NANI


Arte de OSCAR


Arte de PAIX?O